
Por Anderson Braga
O Ministério Público Federal (MPF) apresentou denúncia contra 10 pessoas investigadas por participação em um esquema sofisticado de fraude no concurso da Polícia Federal (PF), realizado em 2025. A investigação está vinculada às Operações Última Fase e Concorrência Simulada, que apuram a atuação de uma organização criminosa com ramificações em diferentes estados do Nordeste, como Alagoas, Paraíba e Pernambuco.
De acordo com a denúncia, o grupo operava de maneira estruturada, com divisão de funções e núcleos especializados. O esquema consistia na captação de candidatos interessados em fraudar o certame, além da infiltração de integrantes nos locais de prova. Esses executores eram responsáveis por fotografar os cadernos de questões e enviar as imagens, em tempo real, a especialistas encarregados de resolver as provas.
Os gabaritos eram repassados aos candidatos mediante pagamento de altos valores, definidos com base no salário inicial dos cargos pretendidos. Segundo o MPF, os custos podiam ultrapassar R$ 280 mil por participante, evidenciando a dimensão financeira do esquema criminoso.
No caso específico do concurso da Polícia Federal, realizado em julho de 2025, as investigações apontaram fraude direcionada ao cargo de delegado. Um dos denunciados teria sido diretamente beneficiado, mantendo vínculo com o núcleo da organização. Entre as provas reunidas estão movimentações financeiras consideradas atípicas e trocas de mensagens que reforçam a participação no esquema.
Os denunciados foram classificados conforme suas funções, que incluíam gestores, intermediários, solucionadores das provas, responsáveis pela captação de imagens e beneficiários diretos. Eles poderão responder por crimes como organização criminosa, fraude em certame de interesse público, lavagem de dinheiro, corrupção, falsidade documental e embaraço à investigação.
O MPF também informou que irá solicitar a revogação dos benefícios de colaboração premiada de dois investigados, que teriam descumprido os termos acordados ao omitir informações relevantes e continuar praticando atividades ilícitas após firmarem o acordo.
Diante das irregularidades, o órgão pede a responsabilização criminal dos envolvidos, além da aplicação das penalidades previstas em lei e o eventual ressarcimento aos cofres públicos pelos prejuízos causados.




