
Por Anderson Braga
A política tem seus tempos próprios. E, em Alagoas, o relógio eleitoral parece estar correndo mais rápido para alguns do que para outros.
Enquanto o prefeito de Maceió, JHC, reduz aparições na mídia tradicional e mantém uma postura de discrição que contrasta com sua conhecida habilidade de comunicação, o ministro dos Transportes, Renan Filho, ocupa espaços, amplia sua presença institucional e reforça uma narrativa cada vez mais ousada: a de que pode vencer a eleição para o Governo do Estado já no primeiro turno.
A afirmação, que até pouco tempo era repetida apenas por aliados mais entusiasmados, agora passou a ser vocalizada pelo próprio senador licenciado. E, olhando friamente para o cenário atual, não se trata de um exercício de arrogância política. Trata-se de uma possibilidade concreta.
Mas a mesma lógica vale para o outro lado.
Se JHC confirmar candidatura ao Palácio República dos Palmares, também terá condições reais de encerrar a disputa na primeira etapa do processo eleitoral. Isso porque o principal elemento capaz de impedir uma vitória antecipada de qualquer um dos dois ainda não apareceu no tabuleiro: uma terceira via competitiva.
Até agora, o eleitor alagoano enxerga uma disputa praticamente binária. De um lado, Renan Filho, herdeiro político de um dos grupos mais longevos e estruturados do estado. Do outro, JHC, representante de uma nova geração política que construiu capital eleitoral próprio e consolidou sua liderança na capital.
Nesse contexto, a candidatura de Lenilda Luna, pelo Partido da Unidade Popular (UP), cumpre um papel relevante do ponto de vista ideológico, oferecendo uma alternativa à esquerda mais identificada com pautas populares e movimentos sociais. Entretanto, não há, neste momento, qualquer indicativo de competitividade eleitoral capaz de ameaçar os dois favoritos.
A pergunta que permanece no ar é outra.
Quando parte do eleitorado afirma que Renan Filho e JHC são iguais, está realmente observando os projetos políticos ou apenas enxergando dois nomes fortes disputando o mesmo espaço de poder?
A resposta não é tão simples quanto parece.
Renan Filho representa a continuidade de um grupo político que domina o cenário alagoano há décadas e cuja principal característica é a capacidade de articulação institucional. JHC, por sua vez, construiu sua trajetória como opositor desse mesmo grupo, embora nos últimos anos tenha demonstrado pragmatismo político suficiente para dialogar com antigos adversários quando necessário.
Existem diferenças de origem, de discurso e de método. Mas também existem semelhanças inevitáveis em uma política cada vez mais orientada pela gestão, pelas alianças e pela busca do centro do eleitorado.
Por enquanto, porém, o fato mais relevante não está nas diferenças entre os dois. Está na ausência de alguém capaz de quebrar essa polarização.
E enquanto essa alternativa não surge, Renan Filho avança, ocupa terreno e vende a imagem de favorito. JHC, ao contrário, parece apostar que ainda há tempo suficiente para entrar definitivamente em campo.
A questão é saber se, numa eleição que já começou nos bastidores, quem fica muito tempo fora dos holofotes não corre o risco de entregar ao adversário a narrativa da largada.



