Suspeito de envolvimento em atentado contra tenente da Rota morre em confronto com a PM em São Paulo
Polícia aponta que ataque contra o oficial foi planejado durante quatro meses; investigação já prendeu dois suspeitos e apura a participação de outros envolvidos

Por Anderson Braga
Um homem apontado como suspeito de participar da tentativa de homicídio contra o tenente da Polícia Militar Ronickson Pimentel dos Santos morreu após um confronto com policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), na manhã desta quarta-feira (1º), na região de Guaianases, Zona Leste de São Paulo.
Segundo a Polícia Militar, equipes da Rota foram até o local após receberem informações sobre a possível participação do suspeito no atentado contra o oficial, ocorrido no último sábado (27), em São Caetano do Sul, no ABC Paulista. Durante a abordagem, conforme a corporação, o homem reagiu e houve troca de tiros. Ele foi baleado, socorrido e encaminhado a uma unidade de saúde da região, mas não resistiu aos ferimentos.
A ocorrência foi registrada no 68º Distrito Policial, que dará prosseguimento aos procedimentos legais. A eventual participação do suspeito no atentado continuará sendo investigada pela Polícia Civil.
Atentado teria sido monitorado por quatro meses
As investigações conduzidas pela Polícia Civil apontam que o ataque contra o tenente Ronickson foi cuidadosamente planejado ao longo de aproximadamente quatro meses. De acordo com os investigadores, os criminosos passaram a monitorar a rotina do policial desde fevereiro, reunindo informações sobre seus deslocamentos antes da execução do atentado.
Imagens do sistema de monitoramento de São Caetano do Sul registraram um veículo branco utilizado na logística da fuga dos criminosos circulando por endereços ligados ao oficial desde o início do monitoramento. O automóvel foi localizado na noite de terça-feira (30) em um estacionamento no bairro de Guaianases, sendo apreendido e encaminhado ao Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), onde será submetido à perícia. A responsável pelo estacionamento também prestou depoimento.
As investigações revelaram ainda que a motocicleta utilizada pelos atiradores havia sido roubada em março, na região da Cidade Dutra, Zona Sul da capital paulista. Antes do crime, o veículo recebeu uma placa clonada registrada em São João de Meriti, no Rio de Janeiro, numa tentativa de dificultar a identificação dos envolvidos.
Até o momento, dois suspeitos já foram presos por suposta participação no atentado, enquanto a polícia continua em busca de outros integrantes do grupo criminoso.
Estado de saúde apresenta evolução positiva
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, onde foi submetido a uma cirurgia na cabeça logo após ser atingido por um disparo.
Segundo o boletim médico mais recente, divulgado pela Rota, o oficial apresenta evolução clínica considerada satisfatória. A equipe médica informou que houve redução na necessidade de medicamentos para manutenção da pressão arterial e boa resposta ao tratamento neurológico.
O comunicado destaca ainda que o paciente permanece sem febre, com os demais órgãos funcionando adequadamente, e que o processo de redução da sedação segue em andamento. Novos exames de imagem foram programados para acompanhar a evolução do quadro.
Apesar da gravidade do ferimento, a família informou que o policial apresentou resposta neurológica positiva e que a recuperação ocorre dentro do esperado para esse tipo de trauma, permanecendo sob acompanhamento permanente das equipes de terapia intensiva e neurocirurgia.
Irmão de Eloá Pimentel
O tenente Ronickson Pimentel dos Santos é irmão de Eloá Pimentel, adolescente de 15 anos assassinada em outubro de 2008 pelo ex-namorado, após permanecer cerca de 100 horas em cárcere privado. O caso teve ampla cobertura da imprensa brasileira e tornou-se um dos episódios criminais de maior repercussão da história recente do país.
As autoridades seguem investigando a motivação do atentado contra o oficial e trabalham para identificar todos os envolvidos no planejamento e na execução do crime.



