Terremotos devastam a Venezuela, deixam mortos e feridos e são sentidos no Norte do Brasil
Dois fortes abalos sísmicos provocaram destruição em Caracas e outras cidades; governo decreta estado de emergência e mobiliza equipes de resgate

Por Anderson Braga
A Venezuela vive momentos de tensão e luto após ser atingida por dois fortes terremotos na noite da última quarta-feira (24). Os abalos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com menos de um minuto de diferença e provocaram uma onda de destruição em diversas regiões do país, especialmente na capital, Caracas. Até a madrugada desta quinta-feira (25), o governo venezuelano havia confirmado a morte de 32 pessoas e pelo menos 70 feridos.
Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), o epicentro dos tremores foi registrado próximo à cidade de El Guayabo, a cerca de 160 quilômetros de Caracas. O terremoto principal ocorreu a apenas 13 quilômetros de profundidade, fator que contribuiu para a intensidade dos danos observados na superfície.
Diante da tragédia, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência em todo o país. Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, a mandatária anunciou a mobilização imediata de equipes de resgate, forças de segurança e agentes da defesa civil para atuar nas áreas mais atingidas.
Além disso, o governo determinou a suspensão das aulas e dos serviços considerados não essenciais, permitindo que os esforços se concentrem no salvamento de vítimas que permanecem sob os escombros. Redes de gás e energia elétrica também foram desligadas preventivamente para evitar novos acidentes.
Os danos materiais são expressivos. Prédios residenciais, estabelecimentos comerciais e casas desabaram em Caracas e em outras cidades. Equipes de resgate trabalharam durante toda a madrugada na busca por sobreviventes em um edifício que veio abaixo na capital. Familiares se reuniram nos locais atingidos em busca de informações sobre parentes desaparecidos.
No município de Chacao, na região metropolitana de Caracas, autoridades confirmaram mortes e pelo menos 16 feridos após o colapso de duas estruturas. No litoral venezuelano, um hotel de oito andares desabou completamente. Apesar da gravidade das imagens divulgadas nas redes sociais, ainda não havia informações oficiais sobre vítimas no local.
A infraestrutura do país também sofreu impactos significativos. O Aeroporto Internacional Simón Bolívar, principal terminal aéreo da Venezuela, teve suas operações suspensas após sofrer danos estruturais causados pelos tremores. Hospitais da capital foram colocados em alerta máximo e reforçaram seus plantões para atender ao aumento da demanda por atendimento médico.
Nas horas seguintes aos terremotos, o governo venezuelano registrou pelo menos 20 réplicas, mantendo o clima de apreensão entre a população.
Os efeitos dos abalos ultrapassaram as fronteiras venezuelanas. A Rede Sismográfica Brasileira informou que os terremotos foram detectados por estações de monitoramento no Brasil e sentidos por moradores de cidades da Região Norte, incluindo Belém, Manaus, Boa Vista e Macapá.
De acordo com o sismólogo Bruno Collaço, do Centro de Sismologia da USP, é relativamente comum que terremotos de grande magnitude sejam percebidos a centenas ou até milhares de quilômetros de distância. Segundo ele, apesar do susto provocado entre os brasileiros, não há risco de danos estruturais em cidades tão distantes do epicentro.
O episódio também gerou preocupação sobre a possibilidade de tsunami. Inicialmente, o Sistema de Alerta de Tsunamis dos Estados Unidos emitiu avisos preventivos para Porto Rico, Ilhas Virgens Americanas e Britânicas, além das ilhas de Aruba, Curaçao e Bonaire. No entanto, o alerta foi cancelado cerca de uma hora depois, após análises indicarem a ausência de risco significativo.
Especialistas explicam que a Venezuela está localizada em uma das áreas de maior atividade sísmica da América do Sul, devido ao encontro das placas tectônicas do Caribe e da América do Sul. A região já foi palco de grandes tragédias sísmicas, como o terremoto de 1812, que atingiu Caracas e Mérida e deixou aproximadamente 30 mil mortos, segundo registros históricos do USGS.
Enquanto as equipes continuam os trabalhos de busca e resgate, o país acompanha com apreensão a evolução da situação e teme que o número de vítimas aumente nas próximas horas.




