Dois investigados presos na Operação BABET já eram alvo de apuração semelhante em Pernambuco

Por Anderson Braga
Dois dos três investigados presos durante a Operação BABET, deflagrada nesta terça-feira (18) pelos Ministérios Públicos de Alagoas (MPAL) e Pernambuco (MPPE), já haviam sido recentemente envolvidos, em Pernambuco, em uma investigação relacionada a uma suposta prática criminosa de natureza semelhante.
A operação apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de fraudar concursos públicos para obter vantagens indevidas e favorecer determinados candidatos. Ao todo, foram cumpridos três mandados de prisão, sendo um em Alagoas e dois em Pernambuco, além de oito mandados de busca e apreensão nos dois estados.
Entre os certames investigados está o concurso para o preenchimento de cargos da Guarda Civil Municipal de Rio Largo, em Alagoas. Segundo o Ministério Público, o grupo teria utilizado, de forma reiterada, diferentes estratégias e mecanismos para interferir na lisura das seleções.
De acordo com o MPAL, o fato de dois dos investigados já terem sido relacionados recentemente a uma apuração semelhante em Pernambuco reforçou a necessidade de aprofundamento das investigações. As informações contribuíram para a adoção das medidas cautelares autorizadas judicialmente pela 17ª Vara Criminal da Capital, em Alagoas.
Durante o cumprimento dos mandados, os investigadores apreenderam dispositivos eletrônicos, documentos e outros materiais considerados de interesse para a apuração. O conteúdo será submetido a análise técnica.
Os três presos deverão ser ouvidos pelo MPAL, com apoio especializado do Núcleo de Gestão da Informação (NGI/SI/MPAL). Segundo o promotor de Justiça Kleber Valadares, a análise do material apreendido poderá ajudar na identificação e sistematização de novas provas, além de aprofundar informações já reunidas durante a investigação.
O Ministério Público também trabalha com a possibilidade de que os dados obtidos nos equipamentos e documentos, juntamente com os depoimentos dos investigados, contribuam para revelar novas conexões e esclarecer como a organização teria atuado nas supostas fraudes.
A operação é resultado de uma ação integrada entre os Grupos de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaecos) do MPAL e do MPPE, a 2ª Promotoria de Justiça de Rio Largo e a promotoria de Justiça designada para atuar no caso.
Segundo os Ministérios Públicos, o objetivo é identificar e responsabilizar os integrantes da suposta organização criminosa, além de preservar a credibilidade dos concursos públicos e garantir igualdade de condições entre os candidatos. Para os órgãos, fraudes dessa natureza comprometem a legitimidade dos certames e prejudicam diretamente quem participa das seleções de forma regular.
Nome da operação
O nome BABET faz referência a um personagem da obra Os Miseráveis, do escritor francês Victor Hugo. Na história, Babet é apresentado como alguém que utiliza fraude, disfarce e manipulação para assumir diferentes papéis e enganar outras pessoas.
A escolha do nome, segundo o Ministério Público, está relacionada às características atribuídas, em tese, à atuação dos investigados.




