Drones sobrevoam palácio presidencial da Venezuela, e forças de segurança atiram
Artefatos faziam voo não autorizado, afirmou fonte do governo à AFP. Ainda não se sabe sobre a origem dos drones. Nas redes sociais, usuários publicaram vídeos em que é possível ouvir disparos.

Por G1
Drones não identificados sobrevoaram o Palácio de Miraflores, sede do governo da Venezuela, no centro de Caracas, na noite desta segunda-feira (5). Segundo uma fonte ouvida pela agência de notícias AFP, forças de segurança dispararam tiros para tentar abater os artefatos.
Os disparos começaram por volta das 20h no horário local (21h em Brasília). Uma fonte do governo afirmou à AFP que os drones faziam um voo não autorizado e que a situação estava sob controle. Nenhuma autoridade venezuelana se pronunciou oficialmente.
“Drones sobrevoaram sem permissão e a polícia efetuou disparos de forma dissuasiva, não ocorreu nenhum enfrentamento. (…) Todo o país se encontra em total tranquilidade”, disse uma fonte oficial a correspondentes da AFP.
O incidente ocorre dois dias depois de os Estados Unidos conduzirem uma operação militar na capital venezuelana para capturar o ditador Nicolás Maduro —na ocasião, no sábado (3), Caracas foi alvo de várias explosões. O episódio também ocorreu no mesmo dia em que a presidente interina Delcy Rodrigues tomou posse à frente do governo venezuelano.
Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre a origem dos drones. Segundo a imprensa americana, a Casa Branca diz que não há está envolvida no incidente.
Nas redes sociais, usuários publicaram vídeos em que é possível ouvir vários disparos.
“Parecia que estavam ocorrendo explosões em sequência”, disse à AFP um morador que vive a cinco quarteirões de Miraflores. “A primeira coisa que me veio à mente foi verificar se havia aviões sobrevoando, mas não havia.”
“Apenas vi duas luzes vermelhas no céu”, acrescentou o morador, que não quis se identificar. “Durou aproximadamente um minuto.”
Nos últimos dois dias, o governo dos Estados Unidos disse que não realizaria novos ataques contra a Venezuela, desde que as autoridades do país continuem colaborando.
Mais cedo, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não está em guerra com a Venezuela. Em entrevista à NBC News, ele disse que a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, está cooperando com o governo americano.
Segundo Trump, o contato ocorre por meio do secretário de Estado, Marco Rubio. “A relação entre eles tem sido muito forte”, afirmou.
Trump acrescentou que pode autorizar uma nova operação militar caso Delcy mude de posição.
Com a deposição de Maduro, Delcy Rodríguez assumiu a liderança da Venezuela. Até então vice-presidente, ela foi nomeada presidente interina por decisão do Tribunal Supremo de Justiça do país e tomou posse em cerimônia realizada nesta segunda-feira.
No domingo (4), as Forças Armadas da Venezuela reconheceram Delcy como presidente interina. Em pronunciamento em rede nacional, o ministro da Defesa, Vladimir Padrino, apoiou a decisão de mantê-la no cargo por 90 dias.
Maduro capturado
Nicolás Maduro foi capturado por forças americanas durante a madrugada de sábado. Ele foi levado para os Estados Unidos junto com a mulher, onde será julgado por uma série de crimes, incluindo tráfico internacional de drogas.
Já em solo americano, Maduro compareceu nesta segunda-feira (5) a uma audiência diante de um juiz federal em Nova York e declarou-se inocente. No mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU também se reuniu em Nova York para discutir o ataque conduzido pelos Estados Unidos na Venezuela.
Em resposta à operação, o atual governo venezuelano ordenou que a polícia “inicie imediatamente a busca e captura em âmbito nacional de todos os envolvidos na promoção ou apoio ao ataque armado dos Estados Unidos”.
O governo americano afirma que Maduro lidera o chamado Cartel de los Soles, grupo acusado de atuar no tráfico de drogas da América do Sul para os EUA e de tentar desestabilizar a sociedade americana.
A Casa Branca colocou a organização na mira de seu aparato militar após classificar grupos de tráfico de drogas como organizações terroristas.
Essas conclusões, no entanto, são contestadas por especialistas que estudam o tema. Segundo pesquisadores, o Cartel de los Soles não tem uma hierarquia definida e funciona como uma “rede de redes”, formada por integrantes de diferentes patentes militares e setores políticos da Venezuela.
Para esses especialistas, Maduro não seria o chefe da organização. Ainda assim, há indícios de que ele esteja entre os principais beneficiários de um modelo de “governança criminal híbrida” que teria ajudado a se consolidar no país.




