
Por Anderson Braga
Pelo menos 21 pessoas foram vítimas de um golpe envolvendo a venda de passagens aéreas em Alagoas. O prejuízo do grupo ultrapassa R$ 14 mil. As vítimas viajariam para Brasília para participar de um simpósio de quadrilhas juninas, mas descobriram, no dia do embarque, nesta semana, que os bilhetes não haviam sido emitidos.
Uma das vítimas, Wellignton, havia sido convidado para representar Alagoas no evento, que reuniria participantes e confederações de quadrilhas juninas de vários estados do país. Ele decidiu comprar a própria passagem por fora e acabou indicando o suposto vendedor a outras pessoas que também precisavam viajar.
Segundo Wellignton, o primeiro contato com o homem ocorreu em abril, por meio de sua esposa, que o conheceu durante uma corrida de Uber. O suspeito se apresentava como funcionário da companhia aérea Azul e teria apresentado informações que, segundo a vítima, aparentavam comprovar o vínculo com a empresa, incluindo dados de um aplicativo de recursos humanos.
Com a aproximação da viagem, Wellignton voltou a procurar o homem e comprou a passagem. Depois, informou aos demais convidados que havia conseguido um preço mais baixo. A partir disso, outras pessoas também passaram a negociar os bilhetes com o mesmo indivíduo.
Os valores foram transferidos ao suspeito, mas os comprovantes das passagens não eram apresentados. A situação só foi esclarecida no dia do embarque, quando as vítimas chegaram ao aeroporto e descobriram que os bilhetes não existiam.
O episódio provocou frustração e constrangimento entre os participantes. Algumas vítimas haviam solicitado licença ou dispensa do trabalho para representar Alagoas no evento.
Outra vítima relata descoberta no aeroporto
Ginaldo dos Santos também está entre as pessoas que perderam dinheiro no golpe. Segundo ele, o grupo acreditou que o homem, que se identificava como João Vitor, realmente faria a compra das passagens.
As vítimas, de acordo com Ginaldo, chegaram a cobrar informações sobre os bilhetes, mas o suspeito não apresentava os comprovantes de compra.
“Fomos enganados. Acreditamos, né, que esta criatura iria realmente comprar as passagens e fomos surpreendidos”, relatou.
A confirmação de que havia algo errado ocorreu no aeroporto. Segundo Ginaldo, as vítimas descobriram que outras pessoas também haviam comprado passagens com o mesmo homem e não conseguiram embarcar.
“A gente descobriu lá no aeroporto que tinha dois ou três casais que já foram embarcar, que tinham comprado passagem para essa mesma pessoa e não conseguiram embarcar porque caíram no golpe”, contou.
De acordo com as vítimas, o suspeito utilizava diferentes documentos e informações que aparentavam indicar um vínculo com a Azul, companhia aérea responsável pelas passagens que, segundo os relatos, teriam sido negociadas.
O grupo registrou um boletim de ocorrência e informou que os procedimentos jurídicos relacionados ao caso já foram iniciados.
Segundo Wellignton, ao registrar a ocorrência, ele descobriu na delegacia que o suspeito teria outros 26 boletins de ocorrência em seu nome, também relacionados a denúncias de estelionato. A informação consta no relato da vítima e deverá ser apurada pelas autoridades.
ABAV orienta consumidores
Diante do caso, o vice-presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens em Alagoas (ABAV-AL), Samuel Silva, orienta os consumidores a adotarem medidas de segurança antes de contratar serviços relacionados a viagens.
Segundo ele, o primeiro passo é verificar se a agência de viagens ou turismo está formalmente estabelecida e possui registro no Cadastur, cadastro do Ministério do Turismo.
A consulta é pública e pode ser feita pelo consumidor. Para verificar se uma agência ou agente está registrado, é necessário acessar o Cadastur, selecionar a opção destinada ao turista e informar o estado e a cidade onde o estabelecimento está localizado.
Samuel também recomenda pesquisar referências e verificar a procedência do profissional antes de realizar qualquer pagamento. Outra orientação é desconfiar de ofertas muito abaixo dos valores normalmente praticados no mercado e de pessoas que se apresentam como agentes de viagens sem comprovação de atuação profissional.
A recomendação é confirmar o cadastro, buscar referências e verificar a procedência da empresa ou do profissional antes de fechar o negócio e transferir qualquer valor.



