Operação Vitrine apreende R$ 2,8 milhões em bens de casal investigado por lavagem de dinheiro em Marechal Deodoro
Investigados movimentaram cerca de R$ 20 milhões em três anos, apesar de declararem renda mensal de R$ 4 mil; polícia também identificou R$ 5 milhões em contas bancárias.

Por Anderson Braga
Um casal residente em Marechal Deodoro, no Litoral Sul de Alagoas, é investigado pela Polícia Civil por suspeita de lavagem de dinheiro após movimentar aproximadamente R$ 20 milhões nos últimos três anos. Os investigados foram alvos da Operação Vitrine, deflagrada nesta quarta-feira (4), que resultou na apreensão de bens avaliados em R$ 2,8 milhões, além do bloqueio de valores encontrados em contas bancárias.
De acordo com o delegado Thales Araújo, responsável pela investigação, o patrimônio acumulado pelo casal apresenta uma incompatibilidade com a renda declarada, de aproximadamente R$ 4 mil. Autodeclarados autônomos, os dois passaram a ser investigados após a identificação de movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a capacidade econômica informada.
Durante o cumprimento dos mandados judiciais, os policiais apreenderam diversos equipamentos eletrônicos, aparelhos celulares e veículos de luxo. Entre os bens recolhidos estão dois automóveis avaliados em aproximadamente R$ 300 mil cada. A operação também identificou uma mansão, cujo imóvel foi colocado em indisponibilidade por determinação judicial, diante dos indícios de que teria sido adquirido com recursos de origem ilícita.
Na residência, os agentes encontraram um arsenal com armas de diferentes modelos. Segundo a Polícia Civil, o principal investigado é atirador desportivo e possui diversos armamentos legalizados, além de outros objetos, como soco inglês e espada.
Um fuzil, avaliado em mais de R$ 10 mil, foi apreendido durante a ação. Segundo o delegado, a determinação judicial estabelecia a apreensão de bens com valor superior a esse limite, como medida de recuperação patrimonial.
“Existe uma determinação judicial para apreender bens que custem acima de R$ 10 mil e, por isso, só o fuzil foi recolhido como forma de recuperação patrimonial. Aparelhos celulares e outros bens também foram apreendidos”, explicou Thales Araújo.
Além dos bens recolhidos, a investigação identificou aproximadamente R$ 5 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados. Somados, os valores e o patrimônio levantados pela polícia apontam para uma movimentação financeira que ainda precisa ser esclarecida.
O casal continuará sendo investigado e foi intimado para prestar depoimento à Polícia Civil. Os dois deverão apresentar explicações sobre a origem dos recursos utilizados na aquisição dos bens.
“Queremos saber quais os crimes que fazem esse valor chegar aos suspeitos e para onde o dinheiro escoa”, afirmou o delegado.
A investigação busca identificar a possível origem dos recursos, os eventuais crimes relacionados à movimentação financeira e o destino do dinheiro. Até o momento, as suspeitas são objeto de apuração policial.




