
Por Anderson Braga
Um gerente da Caixa Econômica Federal figura entre os principais alvos da Operação Contrato Final, deflagrada na manhã desta quarta-feira (25) pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Alagoas. A ofensiva ocorreu nos municípios de Maceió, Coruripe e São Luís do Quitunde, e mira uma organização criminosa suspeita de aplicar fraudes bancárias milionárias e praticar lavagem de capitais no Estado.
Coordenada pela Polícia Federal em Alagoas, a investigação aponta que o grupo era liderado por empresários da região e contava com o envolvimento direto do gerente da instituição financeira, que teria facilitado a liberação de empréstimos obtidos mediante uso de documentação falsa e empresas de fachada.
Segundo os investigadores, os valores liberados eram rapidamente transferidos para contas pessoais dos líderes do esquema ou para empresas coligadas, estratégia que dificultava o rastreamento dos recursos e a identificação dos beneficiários finais.
Ao todo, foram cumpridos 32 mandados judiciais, incluindo buscas e apreensões, prisões preventivas, sequestro de bens, afastamento cautelar de função pública e quebra de sigilo de dados telemáticos. Durante as diligências, foram apreendidos armas de fogo, veículos de luxo, balança de precisão e diversos equipamentos eletrônicos que devem subsidiar o aprofundamento das apurações.
A operação contou ainda com o apoio do Grupo de Pronta Intervenção (GPI/AL), do Batalhão de Operações Policiais Especiais da Polícia Militar de Alagoas e da Polícia Penal de Alagoas, integrando uma força-tarefa voltada ao enfrentamento do crime organizado.
Além das fraudes em operações de crédito, a investigação revelou um núcleo ainda mais grave do esquema: a contratação de apólices de seguro de vida em nome de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Conforme apurado, algumas dessas pessoas morreram em circunstâncias consideradas suspeitas logo após a formalização dos contratos, tendo como beneficiários integrantes do grupo criminoso.
Há indícios de mortes por afogamento envolvendo moradores de rua, casos que serão encaminhados ao órgão policial competente para apuração específica.
Em nota, a Polícia Federal destacou que fraudes contra instituições financeiras federais comprometem a integridade do Sistema Financeiro Nacional e desviam recursos que deveriam ser destinados ao desenvolvimento econômico e a políticas públicas.
Os investigados poderão responder por lavagem de capitais, estelionato majorado, falsidade ideológica, organização criminosa e obtenção de financiamento mediante fraude em instituição financeira. Somadas, as penas podem ultrapassar 30 anos de reclusão.



