
Por Anderson Braga
A política alagoana atravessa um daqueles momentos em que o silêncio aparente dos atores esconde intensas movimentações nos bastidores. Embora ainda distante do período oficial da campanha, a sucessão estadual de 2026 já começa a desenhar seus contornos, e algumas decisões tomadas nos próximos meses podem redefinir completamente o cenário eleitoral.
Entre os movimentos mais observados está a relação entre o prefeito de Maceió, JHC, e o deputado federal Alfredo Gaspar. Apesar das dificuldades provocadas pela presença de Arthur Lira no mesmo campo político, os dois líderes continuam dialogando. O fato de as conversas permanecerem abertas demonstra que ainda existe espaço para a construção de uma composição capaz de alterar o equilíbrio de forças no estado.
Mas, se JHC, Alfredo Gaspar e Arthur Lira ocupam o centro das atenções da imprensa e dos analistas, há outro personagem cuja decisão pode ter peso determinante na disputa: o prefeito de Arapiraca, Luciano Barbosa.
Nos últimos meses, Luciano foi apontado como um aliado potencial de JHC. Entretanto, os sinais emitidos mais recentemente mostram que o prefeito mantém canais de diálogo também com o ministro dos Transportes, Renan Filho. Essa postura revela uma característica recorrente de sua trajetória política: a capacidade de preservar pontes com diferentes grupos sem assumir compromissos prematuros.
O que chama atenção é que Luciano parece estar operando sob uma lógica diferente daquela que costuma orientar as negociações de lideranças estaduais. Enquanto muitos agentes políticos buscam espaços em chapas majoritárias, secretarias ou compromissos administrativos futuros, o prefeito de Arapiraca demonstra ter uma prioridade muito clara: consolidar a sucessão política familiar.
A reeleição de Daniel Barbosa para a Câmara Federal e de Lucas Barbosa para a Assembleia Legislativa aparece como objetivo central de sua estratégia para 2026. Sob essa perspectiva, a escolha do palanque para governador não será definida por afinidades pessoais ou disputas de protagonismo, mas pela capacidade de oferecer as melhores condições eleitorais para seus projetos prioritários.
Há, inclusive, definições importantes já estabelecidas. Na eleição presidencial, Luciano tem posição alinhada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o Senado, também demonstra ter um caminho praticamente consolidado. A grande incógnita permanece sendo a disputa pelo governo estadual.
E é justamente nessa definição que reside uma das chaves da sucessão alagoana.
Arapiraca não é apenas o segundo maior colégio eleitoral do estado. Trata-se de um centro político capaz de irradiar influência para dezenas de municípios do Agreste e do Sertão. O posicionamento de Luciano Barbosa tende a produzir efeitos que vão além das fronteiras do município, impactando lideranças regionais, vereadores, prefeitos e grupos políticos aliados.
Por isso, a pergunta mais importante do atual momento político em Alagoas talvez não seja quem será candidato a governador, mas sim qual será a escolha de Luciano Barbosa quando chegar a hora da definição.
Dependendo do caminho adotado pelo prefeito, Arapiraca poderá se transformar no principal ativo eleitoral de um dos grupos que disputam o Palácio República dos Palmares. E, em uma eleição que promete ser equilibrada, essa decisão pode representar muito mais do que uma simples adesão política: pode ser o fator capaz de inclinar a balança da sucessão estadual.
A calmaria observada hoje, portanto, não deve ser confundida com estabilidade. Nos bastidores, as peças continuam se movimentando. E, como ocorre em toda grande disputa política, algumas delas têm peso maior do que aparentam. Luciano Barbosa é uma dessas peças.



