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PF aponta uso de ‘empresas de prateleiras’ em suposto esquema usado por Vorcaro para oferecer imóveis de luxo a ex-chefe do BRB

Paulo Henrique Costa foi preso durante nova fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira no negócio entre a instituição financeira de Brasília com o Master

Por O Globo

Os seis imóveis de alto padrão que, segundo a Polícia Federal, foram oferecidos como propina ao ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, estavam vinculados a empresas registradas em um mesmo endereço e que, inicialmente, tinham como capital social de R$ 500. Costa foi preso nesta quinta-feira durante nova fase da operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraude financeira no negócio entre a instituição financeira de Brasília com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.

De acordo com decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, os bens, avaliados em cerca de R$ 146,5 milhões, foram associados a pessoas jurídicas distintas utilizadas para ocultar a titularidade real dos imóveis. Nos cadastros da Junta Comercial de São Paulo, consultados pelo GLOBO, todas essas empresas estão formalmente em nome de uma única pessoa: o empresário Hamilton Edward Suaki, cunhado do advogado Daniel Lopes Monteiro, apontado como operador jurídico-financeiro do esquema e também preso na operação de ontem.

Segundo a PF, Suaki atuava como uma espécie de operador “fictício” das empresas utilizadas na criação da estrutura societária destinada à aquisição e ocultação dos bens. Procurado, ele não se manifestou.

A defesa de Costa, por sua vez, disse considerar a prisão do ex-dirigente do banco como “absolutamente desnecessária”. O advogado de Monteiro não respondeu aos contatos da reportagem, Em nota, o governo do Distrito Federal, acionista do BRB, disse que tem “compromisso com a transparência, o respeito às instituições e a legalidade, e seguirá colaborando com as instâncias competentes”.

Registros da Receita Federal mostram que as companhias abertas para adquirir os bens têm características semelhantes: além de compartilharem o mesmo endereço, na Avenida Brigadeiro Faria Lima, coração financeiro de São Paulo, foram abertas em um curto intervalo de tempo, entre julho e outubro de 2024, e possuem o mesmo diretor formal, indicando, segundo a PF, serem empresas de “prateleira”.

Uma empresa de prateleira é uma pessoa jurídica já constituída, com CNPJ e registros ativos, mas que nunca operou. Elas são mantidas desta forma para venda imediata, permitindo que compradores contornem a burocracia de abertura, ganhando tempo, credibilidade e histórico comercial rápido.

Também há coincidência nos dados de contato: ao menos parte das empresas utiliza os mesmos números de telefone nos cadastros oficiais. Por telefone, a recepção do edifício comercial onde estão registradas as companhias informou que nenhuma das empresas funciona ou já funcionou no prédio.

Essas pessoas jurídicas foram inicialmente criadas com capital social reduzido e, posteriormente, tiveram seus valores ampliados para patamares compatíveis com a aquisição dos imóveis de luxo, em um movimento que, para os investigadores, indica uso de estruturas de fachada para ocultação patrimonial. Todas as empresas foram constituídas com capital social de R$ 500 e depois passaram para milhões, conforme dados da junta comercial.

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