Entre a arquibancada e as urnas: quando a paixão pelo Penedense revela quem realmente ama Penedo
Clássico entre Coruripe e Penedense reacende debate sobre identidade, pertencimento e a coerência de políticos que buscam votos na cidade

Por Anderson Braga
O futebol, mais do que um jogo, é um retrato fiel da identidade de um povo. No último domingo, durante a partida entre Coruripe e Penedense, esse sentimento ficou ainda mais evidente para quem acompanha de perto a realidade de Penedo. A arquibancada não foi apenas torcer pelo resultado em campo, mas também expôs uma discussão que vai além das quatro linhas: quem, de fato, defende Penedo e quem apenas se aproxima da cidade em tempos de interesse político.
Para muitos penedenses, ficou claro que amar Penedo também passa por valorizar seus símbolos, sua cultura e suas representações, e o Penedense é uma das maiores delas. Torcer pelo clube local não é obrigação, mas, para quem se apresenta como defensor da cidade, o distanciamento dessa identidade soa, no mínimo, contraditório.
O episódio trouxe à tona uma reflexão incômoda, porém necessária: há políticos que buscam os votos do povo de Penedo, mas demonstram, na prática, maior ligação afetiva e simbólica com outras cidades inclusive por meio da torcida declarada a clubes de fora. Isso não invalida o direito individual de cada um torcer por quem quiser, mas levanta questionamentos legítimos quando essa postura contrasta com discursos de amor e compromisso com o município.
É natural que Penedo receba apoio e votos destinados a diversos nomes da política. A democracia permite e exige pluralidade. No entanto, cabe ao eleitor estar atento aos sinais, às atitudes e à coerência entre discurso e prática. Quem realmente ama Penedo demonstra isso nos detalhes, nas escolhas e no respeito à identidade local não apenas nos períodos eleitorais.
O jogo terminou, mas o recado permanece: o amor por uma cidade não se proclama apenas em palanques; ele se revela nas posturas, nos gestos e, muitas vezes, até na arquibancada.



