Por Anderson Braga
Uma mulher denunciou ter sido vítima de ameaças, agressões físicas, violência psicológica e até suspeita de envenenamento praticados pelo próprio marido, em um caso de violência doméstica registrado em Arapiraca. O suspeito foi detido e encaminhado à delegacia após a intervenção da Polícia Militar.
De acordo com informações da corporação, a guarnição de Força Tarefa 11, pertencente ao 3º Batalhão de Polícia Militar, estava saindo do batalhão por volta das 23h30 quando foi abordada por um amigo da vítima na guarita da unidade. O homem relatou ter recebido mensagens pedindo socorro, nas quais a mulher afirmava estar sendo dopada pelo marido e ameaçada constantemente.
Diante da gravidade da denúncia e do possível risco à integridade física da vítima, os policiais seguiram imediatamente até a residência acompanhados do comunicante.
Ao chegar ao imóvel, a mulher foi localizada e, durante o primeiro contato com a equipe policial, realizou espontaneamente o gesto internacional de pedido de socorro, sinal utilizado mundialmente para indicar situações de violência doméstica e ameaça.
Segundo os militares, a vítima apresentava sinais evidentes de sonolência, enjoo, abalo emocional e comportamento incomum, alternando momentos de lucidez com episódios de desorientação e dificuldade para manter a atenção. Os policiais também identificaram um hematoma aparente em um dos braços da mulher.
Em depoimento à guarnição, ela contou que é casada com o suspeito há cerca de 20 anos e que o relacionamento é marcado por ameaças constantes, agressões físicas, xingamentos e violência psicológica recorrente. A vítima relatou ainda que não faz uso de medicamentos controlados, mas suspeitava que o companheiro estaria administrando substâncias sem seu conhecimento, devido aos frequentes episódios de sonolência e alterações físicas incomuns.
A mulher afirmou também que o marido exercia comportamento controlador, restringindo sua liberdade, impedindo-a de sair de casa e até de praticar atividades físicas. Segundo o relato, ela suspeita que alguma substância possa ter sido colocada em um whey protein armazenado na geladeira, embora não soubesse informar exatamente o que teria ingerido.
Ainda conforme a vítima, há aproximadamente três meses ela procurou a Patrulha Maria da Penha para denunciar o companheiro e iniciar o processo de solicitação de medida protetiva de urgência. No entanto, antes da apreciação do pedido, desistiu da medida após reatar o relacionamento. Segundo ela, as agressões e ameaças voltaram a acontecer cerca de um mês depois da reconciliação.
A vítima relatou ainda que, no dia da ocorrência, foi agredida pelo marido com uma chapinha de cabelo.
Diante do estado em que a mulher foi encontrada, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e realizou o encaminhamento da vítima até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). Na unidade de saúde, ela recebeu atendimento médico e hidratação venosa.
Durante o atendimento, a vítima relatou à médica plantonista todo o histórico de violência doméstica e a suspeita de ter sido dopada pelo companheiro. O relatório médico apontou rebaixamento do nível de consciência, sonolência, hematomas nos membros superiores e forte abalo psicoemocional.
Com base nos relatos, nos sinais aparentes de violência observados pela equipe policial, no gesto de pedido de socorro e nas informações do atendimento médico, a vítima e o suspeito foram conduzidos à delegacia para os procedimentos cabíveis. O homem permaneceu detido à disposição da Justiça.



