
Por Anderson Braga
Ex-trabalhadores da Usina PAISA realizaram, na manhã desta quarta-feira (27), uma manifestação pacífica em frente à Vara da Justiça do Trabalho, em Penedo, para cobrar do Grupo Toledo o pagamento de créditos trabalhistas acumulados há mais de dez anos.
Munidos de faixas com frases como “Recuperação judicial não é desculpa, pague os trabalhadores da Usina PAISA já” e “Grupo Toledo pague os direitos trabalhistas”, os manifestantes denunciaram a demora no cumprimento dos acordos firmados no âmbito do processo de recuperação judicial da empresa.
Segundo integrantes da comissão dos trabalhadores, centenas de famílias seguem aguardando o recebimento de verbas trabalhistas já reconhecidas pela Justiça. Os credores afirmam que o plano de pagamento apresentado e acordado em 2023 não foi efetivamente cumprido, deixando ex-funcionários sem acesso a valores considerados de natureza alimentar.
Durante o ato, os trabalhadores também demonstraram preocupação com a proposta de utilização de créditos oriundos do extinto Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) como forma de quitação das dívidas trabalhistas, por meio de precatórios. De acordo com os manifestantes, não há previsão concreta para a liberação desses recursos, uma vez que o fundo existe desde antes da recuperação judicial da PAISA e do Grupo Toledo, iniciada em 2017.
Outro ponto levantado pelos ex-funcionários foi a suposta contradição entre a alegada dificuldade financeira da empresa e os investimentos realizados durante o período de recuperação judicial. Conforme os manifestantes, a usina continuou operando normalmente, com aportes em tecnologia e produção agrícola, além de manter um processamento estimado em cerca de 500 mil toneladas de cana-de-açúcar.
Os trabalhadores cobraram maior transparência no processo, a definição de um cronograma concreto para os pagamentos ainda em 2026 e o cumprimento efetivo das obrigações estabelecidas judicialmente.
“Direito trabalhista reconhecido não é favor. É obrigação legal e deve ser pago”, destacaram os credores durante o protesto.
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