Por Anderson Braga
A direita alagoana avança na organização de sua estratégia para as eleições de 4 de outubro e já definiu os principais nomes que representarão o campo conservador nas disputas proporcionais e para o Senado. Com a composição praticamente consolidada, resta apenas uma das principais decisões do grupo: a definição de quem disputará o Governo de Alagoas.
A formação da chapa ganhou contornos mais claros após a confirmação da dobradinha entre o deputado federal Fábio Costa (PP) e o vereador por Maceió Leonardo Dias (PL), anunciada na última quinta-feira (9). A composição reforça o alinhamento entre lideranças conservadoras e fecha o núcleo da chamada “direita raiz” no Estado.
Pela estratégia construída, o ex-procurador-geral de Justiça e deputado federal Alfredo Gaspar (PL) será candidato ao Senado, enquanto Fábio Costa buscará a reeleição para a Câmara dos Deputados. Na disputa por vagas na Assembleia Legislativa, os principais nomes serão o deputado estadual Cabo Bebeto (PL) e o vereador Leonardo Dias (PL).
A saída de Alfredo Gaspar da corrida por uma vaga na Câmara Federal reposiciona Fábio Costa como principal representante do eleitorado conservador na disputa proporcional. Nos bastidores, a expectativa é de que ele absorva parte significativa dos votos que anteriormente seriam destinados ao parlamentar do PL, fortalecendo sua campanha.
Na esfera estadual, Cabo Bebeto já intensificou sua participação em agendas conjuntas com Fábio Costa e desponta como um dos favoritos para conquistar uma das cadeiras que o PL pretende assegurar na Assembleia Legislativa. Leonardo Dias, por sua vez, amplia sua presença no interior e na capital ao confirmar apoio à candidatura de Fábio Costa, consolidando uma estratégia de atuação conjunta.
O desenho eleitoral também contempla a disputa pelo Senado. Além do apoio a Alfredo Gaspar, o grupo deve destinar o segundo voto ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP), seguindo o alinhamento político defendido por setores do bolsonarismo nacional e fortalecendo uma composição entre duas das principais lideranças da direita em Alagoas.
Outro movimento relevante é a opção do PL por não investir, até o momento, na construção de uma chapa competitiva para deputado federal. A estratégia indica uma concentração de esforços em favor da candidatura de Fábio Costa, do Progressistas, buscando unificar o eleitorado conservador em torno de um único nome para a Câmara.
No cenário nacional, o grupo também já sinalizou apoio à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, reforçando o alinhamento com o projeto político do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A principal indefinição permanece na disputa pelo Palácio República dos Palmares. O PL já descartou qualquer possibilidade de apoiar uma eventual candidatura do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), mas ainda não oficializou apoio ao prefeito de Maceió, JHC (PSB), nem apresentou um nome próprio com viabilidade eleitoral.
Embora a hipótese de uma candidatura própria tenha perdido força nas últimas semanas, ela ainda não foi totalmente descartada. Paralelamente, seguem as articulações para uma possível aliança envolvendo o PSDB, cenário que depende do avanço das conversas entre Alfredo Gaspar e JHC, ambos interessados em dividir o mesmo palanque durante a campanha.
Nesse contexto, a influência política de Arthur Lira permanece como um dos fatores centrais para a definição da estratégia da direita alagoana. Sua posição poderá ser determinante para a construção de uma candidatura única ao Governo do Estado ou para o desenho das alianças que marcarão a corrida eleitoral em Alagoas.




