Trump diz que atirador não chegou perto do salão em jantar e fala em ‘fim próximo’ da guerra com o Irã
Em entrevista à Fox News, presidente dos EUA comentou ataque em evento com jornalistas, criticou aliados e indicou disposição para negociar com Teerã.

Por G1
Um dia após o ataque a tiros em um jantar com jornalistas em Washington, o presidente Donald Trump afirmou que o suspeito foi contido antes de se aproximar do local principal do evento e não chegou perto do salão onde estavam autoridades e convidados.
Em entrevista à Fox News, Trump disse que o homem foi “parado imediatamente” pelas forças de segurança e classificou o episódio como um teste para um tipo de operação considerado difícil de proteger.
Segundo ele, eventos como o jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca reúnem grande circulação de pessoas e múltiplos acessos, o que amplia o desafio logístico para as equipes responsáveis pela segurança.
A fala ocorre após a mobilização de agentes do Serviço Secreto durante o evento, que terminou com o suspeito detido ainda nas áreas de controle. Mais cedo, especialistas ouvidos pela imprensa internacional avaliaram que a resposta seguiu o protocolo esperado, com foco em impedir a aproximação e retirar autoridades do risco imediato.
Trump também comentou o perfil do suspeito, dizendo que se tratava de alguém com histórico de “muito ódio” e que familiares já tinham conhecimento de dificuldades anteriores.
‘Ninguém sequer considerou a possibilidade de eu representar uma ameaça’: o que diz o manifesto do suspeito
Trump citou ainda um manifesto atribuído ao suspeito.
“Quando você lê o manifesto dele, percebe que ele odeia os cristãos”, disse Trump no programa Sunday Briefing’ da Fox News, segundo a Reuters.
O manifesto foi enviado aos familiares de Allen pouco antes do ataque, disse um agente da lei à Reuters. O suspeito se autodenominava “Assassino Federal Amigável”, afirmou o agente.
“Oferecer a outra face quando *alguém* é oprimido não é comportamento cristão; é cumplicidade nos crimes do opressor”, dizia o manifesto, de acordo com o funcionário.
Os alvos listados no manifesto incluíam funcionários do governo – embora não o diretor do FBI, Kash Patel – priorizados do nível mais alto para o mais baixo, disse a fonte.
O manifesto também zombava da falta de segurança “insana” no Washington Hilton, onde o jantar foi realizado, acrescentou o funcionário.
“Tipo, a primeira coisa que notei ao entrar no hotel foi a sensação de arrogância”, escreveu o autor do manifesto, segundo relatos. “Entrei com várias armas e ninguém ali sequer considerou a possibilidade de eu representar uma ameaça.”
Segurança reforçada e pressão sobre eventos com autoridades
O presidente reconheceu que garantir a segurança em encontros desse porte é uma tarefa complexa, especialmente quando há concentração de autoridades, jornalistas e equipes de apoio no mesmo ambiente.
A avaliação dialoga com a de ex-agentes de segurança, que apontam que eventos fechados exigem múltiplas camadas de proteção, com triagem, monitoramento e resposta rápida a ameaças. Nesses cenários, o objetivo central é impedir o avanço do agressor antes que ele alcance áreas mais sensíveis — como ocorreu no episódio de sábado.
Guerra com o Irã entra no centro da entrevista
Ao longo da conversa, Trump alternou o tema doméstico com a política externa e afirmou que a guerra com o Irã pode estar próxima do fim.
Segundo ele, há interlocutores “razoáveis” do lado iraniano e a negociação pode avançar por contato direto, inclusive por telefone.
“Se eles quiserem falar, podem vir até nós ou podem nos ligar. Existe telefone. Temos linhas seguras”, disse.
As declarações vêm em um momento de impasse diplomático. Como mostrou o g1 mais cedo, negociações indiretas seguem em curso com mediação do Paquistão, enquanto um cessar-fogo permanece em vigor, mas sem acordo definitivo.
Trump também indicou que uma das condições para encerrar o conflito envolve o programa nuclear iraniano, tema central das tensões entre os dois países.




